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†Domingo, Janeiro 16, 2005†
Já me matei faz muito tempo
Me matei quando o tempo era escasso
E o que havia entre o tempo e o espaço
Era o de sempre
Nunca mesmo o sempre passo
Morrer faz bem à vista e ao baço
Melhora o ritmo do pulso
E clareia a alma
Morrer de vez em quando é a única coisa que me acalma.
Paulo Leminski
Sussurros Móbidos:
†Segunda-feira, Dezembro 20, 2004†
Rumo à salvação
Não quero falar,
Não quero sair,
Não quero brindar,
Não quero sorrir,
Não quero amar,
Só quero fugir.
Quero me esconder
E, quem sabe, morrer..
A dor tomou conta
De todo o meu ser.
Já não mais sinto prazer
Em viver...
E o vento levou
Toda a alegria,
A qual sei
Que mereci um dia.
Errei, todavia...
E agora aqui estou,
No fundo do poço,
Neste alvoroço!
Oh! Saia de mim,
Cruel, pertinaz silêncio ensurdecedor
Que traz consigo toda a dor,
A qual sinto em meu peito!
Quero me distanciar
Deste lugar,
Onde vejo, entre os outros, reinar
Compaixão e otimismo,
Onde, contudo, à minha frente,
Enxergo somente
A profundeza do abismo...
Lágrimas escorrem
Em minha face...
Não quero ajuda, porém.
Sei que vós quereis o meu bem.
Mas é tarde,
Pois a depressão,
Sem piedade, invade
Minha mente.
Amo tantos amigos,
Que, em momentos sofridos,
Forças me dão.
Mas..
Dizei-me:
Vale a vida à pena
Quando muitos se ama,
Mas a si mesmo se odeia?
Portanto,
Deixai-me só...
Deixa-me partir...
Sinto tanta melancolia...
Todavia,
No auge de minha agonia,
Surge o medo
De agir,
De do suicídio
Ao encontro ir.
No entanto, a desilusão
Envolve-me com sua força gritante,
Enquanto a indecisão
Toca-me somente em raros instantes...
Desculpai-me -
Por minha covardia.
Compreendei:
Infeliz fui enquanto vivia.
Prefiri morrer
Do que viver
Com a morte dentro de mim.
Manuella Eiras
Sussurros Móbidos:
†Sexta-feira, Dezembro 10, 2004†
Último fantama
Quem és tu, quem és tu, vulto gracioso,
Que te elevas da noite na orvalhada?
Tens a face nas sombras mergulhada...
Sobre as névoas te libras vaporoso...
Baixas do céu num vôo harmonioso!...
Quem és tu, bela e branca desposada?
Da laranjeira em flor a flor nevada!
Cerca-te a fronte, ó ser misterioso!...
Onde nos vimos nós?...És d'outra esfera?
És o ser que eu busquei do sul ao norte...
Por quem meu peito em sonhos desespera?...
Quem és tu? Quem és tu?-És minha sorte!
És talvez o ideal que est'alma espera!
És a glória talvez! Talvez a morte!...
Castro Alves
Sussurros Móbidos:
A noite
A sós em meio à multidão
os da noite soberanos.
Parados dançamos
Imersos na escuridão.
A sós em meio à multidão
os da noite soberanos.
Hipnotizados viajamos
Ainda com os pés no chão.
A sós em meio à multidão
os da noite soberanos.
Sem saber onde estamos,
Guiamo-nos com o coração.
Sozinhos em dupla!
Quem terá culpa?
Nossa solidão
Ou a multidão?
Bernardo Alves Pinto Mosqueira Gomes
Sussurros Móbidos:
Essa poesia é do meu novo amiguinho, Bê. Ele manda muito bem!!
Antes que eu me esqueça...
Ó, lindo pássaro da noite!
Ó, demônio angelical!
Por que não de dia?
O que fazes à tarde?
Por que me matas à noite?
Ó, belo ser sem sentimentos!
Ó, provocação! tentação!
O que queres comigo?
Tu não sabes amar...
Não me faças um doido!
Ó, alva senhora de mim!
Ó, infinito labirinto de frigidez!
O que queres de mim?
Se não sabes amar,
Arranja outro!
Bernardo Alves Pinto Mosqueira Gomes
Sussurros Móbidos:
Eu...sei que vou morrer!
E eu sei que vou morrer... dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem por braços uma cruz erguida.
Sou o cipreste que inda mesmo flórido
Sombra de morte no ramal encerra.
Vivo vagando sobre o chão da morte,
Morto entre vivos a vagar na terra.
Castro Alves
Sussurros Móbidos:
†Sexta-feira, Dezembro 03, 2004†
Euzinha...
Paixão pelo inexistente
Eterna apaixonada
De coração destroçado
Levanta, e logo cai atordoada,
Sempre mal recuperada.
Eis aqui minha dor,
Que me causa até tremor.
Sentimentos a todo fervor:
paixão, decepção, sofrimento, pavor.
O que carrego comigo?
Fonte ilimitada de amor,
Sempre abalada pelo castigo.
Vagando, chorando, buscando
Incansavelmente por um abrigo,
Destruida, me perco na escuridão.
Manuella Eiras
Sussurros Móbidos:
Eu na Lua...
Meus dias se esgotam, meus
pensamentos se desvanecem, atormentando
meu coração.
Fazendo da noite dia, a luz da manhã
é para mim como trevas.
Deverei esperar? A região dos mortos é a minha
morada, preparo meu leito no
local tenebroso.
Disse ao sepulcro: "És meu pai"; e aos
vermes: "Vós sois minha mãe e minha irmã".
Onde está, pois, minha esperança,
e qwuem entrevê minha fidelidade?
Descerão elas comigo à região dos mortos,
e nos afundaremos juntos na terra?
Jó
Sussurros Móbidos:
†Segunda-feira, Novembro 29, 2004†
A depressão, a raiva, e o desânimo são as principais causas do distanciamento de nós góticos do mundo dos demais mortais. Esse distanciamento na maioria das vezes se torna um círculo vicioso e nos faz cair em um profundo poço de melancolia.
Essa tristeza invade nossas almas, tornando-nos criaturas frias e distantes, muitas vezes estranhas para os demais.
Quando atingimos tal profundidade neste poço e não temos como voltar, adotamos as trevas como opção de vida. Neste momento de autoconsciência sabemos exatamente o que nos tornamos e o que somos. Esse é o momento de transição de uma pessoa normal para um gótico, nosso momento de maior solidão.
Com o passar do tempo, a solidão parece crescer cada vez mais, até percebemos que não estamos sós, e que mundo a fora existem pessoas em situação semelhante a nossa. É aí que somos percebidos, quando paramos para perceber. E assim surge uma nova sociedade, emergindo das sombras. A partir daí nota-se que góticos são compreendidos apenas por góticos, embora o verdadeiro gótico mesmo estando cercado de outras almas tristes igual a sua sempre se sentirá só, pois esta foi sua escolha e será seu destino.
Embora a tristeza seja um dos sentimentos mais profundos conseguimos rir de nossa própria situação.
Nossos momentos de real felicidade são raros, mas verdadeiros, pois são preciosos de mais. Na maioria das vezes não somos pessimistas ou desistimos da vida, apenas a vemos com outros olhos.
As alegrias podem vir de simples coisas, como a felicidade de uma outra pessoa muito estimada, seja um amigo ou algo mais. Ou quando estamos perto de alguém que nos ama de verdade, são momentos para refletir sobre a felicidade e como ela é importante e preciosa, além de necessária para qualquer ser humano, até para nós góticos. Assim como o amor, nós góticos muitas vezes amamos em silêncio, sem deixar que a pessoa amada decubra, muitas vezes por medo de sofrer decepções, e sofremos por medo de sofrer. Mais uma coisa é certa, pessoas nascem, pessoas morrem, mas o amor verdadeiro é para sempre.
Sussurros Móbidos:
†Sexta-feira, Novembro 26, 2004†
Outra foto minha.... hehehe
Eu tive um sonho que não era em todo um sonho
O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas
Vagueavam escuras pelo espaço eterno,
Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra
Girava cega e negrejante no ar sem lua;
Veio e foi-se a manhã - Veio e não trouxe o dia;
E os homens esqueceram as paixões, no horror
Dessa desolação; e os corações esfriaram
Numa prece egoísta que implorava luz:
E eles viviam ao redor do fogo; e os tronos,
Os palácios dos reis coroados, as cabanas,
As moradas, enfim, do gênero que fosse,
Em chamas davam luz; As cidades consumiam-se
E os homens juntavam-se junto às casas ígneas
Para ainda uma vez olhar o rosto um do outro;
Felizes enquanto residiam bem à vista
Dos vulcões e de sua tocha montanhosa;
Expectativa apavorada era a do mundo;
Queimavam-se as florestas - mas de hora em hora
Tombavam, desfaziam-se - e, estralando, os troncos
Findavam num estrondo - e tudo era negror.
À luz desesperante a fronte dos humanos
Tinha um aspecto não terreno, se espasmódicos
Neles batiam os clarões; alguns, por terra,
Escondiam chorando os olhos; apoiavam
Outros o queixo às mãos fechadas, e sorriam;
Muitos corriam para cá e para lá,
Alimentando a pira, e a vista levantavam
Com doida inquietação para o trevoso céu,
A mortalha de um mundo extinto; e então de novo
Com maldições olhavam para a poeira, e uivavam,
Rangendo os dentes; e aves bravas davam gritos
E cheias de terror voejavam junto ao solo,
Batendo asas inúteis; as mais rudes feras
Chagavam mansas e a tremer; rojavam víboras,
E entrelaçavam-se por entre a multidão,
Silvando, mas sem presas - e eram devoradas.
E fartava-se a Guerra que cessara um tempo,
E qualquer refeição comprava-se com sangue;
E cada um sentava-se isolado e torvo,
Empanturrando-se no escuro; o amor findara;
A terra era uma idéia só - e era a de morte
Imediata e inglória; e se cevava o mal
Da fome em todas as entranhas; e morriam
Os homens, insepultos sua carne e ossos;
Os magros pelos magros eram devorados,
Os cães salteavam seus donos, exceto um,
Que se mantinha fiel a um corpo, e conservava
Em guarda as bestas e aves e famintos homens,
Até a fome os levar, ou os que caíam mortos
Atraírem seus dentes; ele não comia,
Mas com um gemido comovente e longo, e um grito
Rápido e desolado, e relambendo a mão
Que já não o agradava em paga - ele morreu.
Finou-se a multidão de fome, aos poucos; dois,
Dois inimigos que vieram a encontrar-se
Junto às brasas agonizantes de um altar
Onde se haviam empilhado coisas santas
Para um uso profano; eles a resolveram
E trêmulos rasparam, com as mãos esqueléticas,
As débeis cinzas, e com um débil assoprar
E para viver um nada, ergueram uma chama
Que não passava de arremedo; então alçaram
Os olhos quando ela se fez mais viva, e espiaram
O rosto um do outro - ao ver gritaram e morreram
- Morreram de sua própria e mútua hediondez,
- Sem um reconhecer o outro em cuja fronte
Grafara o nome "Diabo". O mundo se esvaziara,
O populoso e forte era uma informe massa,
Sem estações nem árvore, erva, homem, vida,
Massa informe de morte - um caos de argila dura.
Pararam lagos, rios, oceanos: nada
Mexia em suas profundezas silenciosas;
Sem marujos, no mar as naus apodreciam,
Caindo os mastros aos pedaços; e, ao caírem,
Dormiam nos abismos sem fazer mareta,
mortas as ondas, e as marés na sepultura,
Que já findara sua lua senhoril.
Os ventos feneceram no ar inerte, e as nuvens
Tiveram fim; a escuridão não precisava
De seu auxílio - as trevas eram o Universo.
Lord Byron
Sussurros Móbidos:
UM CADÁVER DE POETA
"Levem ao túmulo aquele que parece um cadáver! Tu não pesaste sobre a ferra: a terra te seja leve!"
L. UHLAND
De tanta inspiração e tanta vida
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto.. .
O que resta? uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava . .
Resta um poeta morto!
Morrer! e resvalar na sepultura.
Frias na fronte as ilusões¿no peito
Quebrado o coração!
Nem saudades levar da vida impura
Onde arquejou de fome . . sem um leito!
Em treva e solidão!
Tu foste como o sol; tu parecias
Ter na aurora da vida a eternidade
Na larga fronte escrita. . .
Porém não voltarás como surgias!
Apagou-se teu sol da mocidade
Numa treva maldita!
Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou...
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!. . .
Álvares de Azevedo
Sussurros Móbidos:
Paixão pelo inexistente
Eterna apaixonada
De coração destroçado
Levanta, e logo cai atordoada,
Sempre mal recuperada.
Eis aqui minha dor,
Que me causa até tremor.
Sentimentos a todo fervor:
paixão, decepção, sofrimento, pavor.
O que carrego comigo?
Fonte ilimitada de amor,
Sempre abalada pelo castigo.
Vagando, chorando, buscando
Incansavelmente por um abrigo,
Destruida, me perco na escuridão.
Manuella Eiras
Sussurros Móbidos:
†Quarta-feira, Novembro 24, 2004†
À meia-noite
Neste túmulo de eterno pecado
Nossos corpos cadavéricos
Ocuparão o mesmo espaço
Esquecidos por seres contemporâneos
Brindaremos outras existências
Com nossas taças feitas de crânios humanos
Fortaleceremos nossa vingança
Regando com vinho reles
Todas as nossas lembranças
Esta infinita noite é o começo
De tudo o que vivemos
A este banquete ao avesso
Bruxas, demônios e deuses do Universo evocaremos
Todos serão convidados
E anjos perseguidos por todos os cantos
No juízo final serão enforcados
E queimados aos prantos
Satanistas roubarão caixões recém-ocupados
Por corpos ainda quentes
Que ao inferno serão direcionados
Para queimar no fogo ardente
Manuella Eiras
Sussurros Móbidos:
†Terça-feira, Novembro 23, 2004†
Gente, esta sou eu. Não postarei mais fotos minhas aqui, pois este blog eu fiz com a finalidade de vos apresentar minhas poesias (e outras mais que eu julgar interessantes). Entretanto, vós podeis ver mais fotos minhas e saber mais sobre minha vida acessando meu blog-flog, cujo endereço é www.joselitasemnocao.blogger.com.br Saudações mórbidas!
Dores de uma poetisa
Deitei-me sobre as folhas secas,
Que, do alto da copa das árvores,
Nos assistiam andar de mãos dadas
Na primavera.
Olhei para o céu,
Que agora cheio de nuvens negras,
Um dia nos banhou de azul.
O sol que nos aquecia
Desapareceu no horizonte
E me deixou sozinha,
Em meio à escuridão da noite.
E nem mesmo a lua,
Que numa noite me inspirou
A lhe fazer as mais belas poesias,
Apareceu para me consolar.
Por trás dessas nuvens escuras,
Estão as estrelas,
Que antes formavam desenhos
Para nós interpretarmos.
Lembrais-vos de quantas vezes vimos
Os olhos um do outro naquelas estrelas?
Talvez nem me ouvindo estejais...
Agora vossos olhos brilham,
Refletidos nas lágrimas
Que caem dos meus...
Minhas mãos já não se aquecem sem as vossas...
E, sozinha em um mundo tão grande,
Sobrevivo em meio à morte.
Lembrais-vos de todas as rosas
Que colhi nos jardins,
Tentando homenagear vossa beleza?
Agora elas enfeitam-lhe, pois, a sepultura.
E, aos poucos, secam,
Sem motivo para viver,
Sem vós para dar-lhes vida.
Não mais me importa
Se escrevo em linhas tortas,
Não mais me interessa
Se as folhas se rasgam e voam ao vento,
Não mais me dói
Se a vida escapa entre meus dedos.
Apenas anseio voltar a vos ter ao meu lado.
Lembrais-vos do vento
Que um dia agitou nossos cabelos
E nos levou num vôo ao paraíso?
Confio que a vós
Ele me levará mais uma vez,
Pois o nada
É o tudo
Em matéria de principalmente.
Esperai-me.
Sussurros Móbidos:
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